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Regime de escravidão: Condições de trabalho nas minas de Ouro no século XVIII

por Leo,

Nos séculos XVI /XVII, o grande alicerce econômico do Brasil era a plantação e a venda do açúcar, pois a terra era boa para o plantio. Com isso foram construídos bastante engenhos, e logo foi preciso gente para trabalhar neles.  No começo os índios foram submetidos ao trabalho escravo, porém não conseguiam dar conta do trabalho, pois morriam rápido por terem baixa resistência às doenças quando entravam em contato com os homens brancos, e também haviam poucos índios para o número de engenhos (CALDEIRA, 1999, p.42).


Os senhores donos dos engenhos e a coroa portuguesa decidiram então comprar mão-de-obra escrava para dar conta do trabalho. Os escravos vinham de diferentes regiões da África, e logo que chegavam eram misturados para dificultar o convívio e a fala já que pertenciam a diferentes culturas, e com isso também dificultava a fuga. Os escravos eram trazidos em navios com condições desumanas, muitos morriam no caminho, os que tinham a “sorte” de chegarem vivos até o Brasil eram vendidos. Nesta época os escravos não passavam de uma mercadoria.

A compra de escravos deu certo e os engenhos deram muitos lucros para Portugal, despertando a curiosidade e a “inveja” em muitos países, como a Holanda que resolveu mandar tropas para espionar o funcionamento dos engenhos de açúcar (CALDEIRA, 1999, p.50).

A vinda dos holandeses deu certo. No tempo em que ficaram no Brasil aprenderam a técnica do funcionamento do engenho, resolveram construir engenhos nas Antilhas, onde a terra era fértil, e competir com Portugal na produção de açúcar. Mas a qualidade do açúcar holandês era melhor e o preço era menor, com isso não demorou muito para a Europa começar a comprar o açúcar dos holandeses.

Com o declínio na venda de açúcar, Portugal passou por um momento difícil economicamente, e necessitava de outro meio que novamente lhe desse lucro.

Foi então que no século XVIII descobriu através dos bandeirantes a exploração de minério na região de Minas Gerais, onde havia muitas minas de ouro, com isso Minas Gerais começou a ganhar grande importância para a economia da colônia.

A descoberta do ouro atraiu pessoas de toda colônia e até da Europa, fazendo com que houvesse um rápido povoamento na região, muitas pessoas vieram para Minas Gerais com o sonho de ficar rico da noite pro dia[1].

O ouro era extraído das minas pelos escravos negros que vinham de diferentes regiões da África. Seu trabalho era duro e desumano. A partir de 05h00min da manhã tinham que estar nas minas e ás 20h00min da noite nas senzalas. Quando cansado seus feitores lhe davam o “direito” de descansar. Descanso de escravo era carregar pedras para construir muros das casas e igrejas da antiga Vila Rica.

Os escravos viviam cerca de cinco a oito anos devido as suas condições de trabalho que eram precárias, diariamente muitos morriam por doenças ou por conta dos acidentes que aconteciam nas minas, sendo este o motivo pelo quais muitos escravos morreram.

Era muito comum o escravo ficar cego, devido à baixa luminosidade do sol, as partículas das minas que batiam nos olhos e os desmoronamentos.

Os escravos tinham que retirar determinada quantidade de ouro por dia, caso isso não acontecesse ficavam sem comida e de castigo. Aqueles que alcançassem a quantidade estipulada recebiam uma tigela de comida, os que só conseguiam metade do ouro que seu Senhor pediu, recebiam meia tigela de comida, daí vem à expressão “meia-tigela”.

Os escravos eram vendidos por variados valores, cada escravo tinha seu preço conforme suas qualidades. Um escravo comum valia em torno de 300g de ouro, o negro líder valia 2 kg ou 3 kg de ouro, uma mulata valia 5 kg de ouro.

O negro líder era muito importante para a escavação da mina, pois sabia fazer o arqueamento que garantia o sustento da mina para que ela não desmoronasse, tinha o cuidado de ir tirando a areia e as rochas para que não machucasse a cabeça nem os braços, cavava a mina subindo de forma que a água do lençol freático saía com gravidade, entre outras coisas. Os senhores que não obtinham um negro líder, suas minas desmoronavam, pois eram os únicos que sabiam fazer isso[2] .

Todo ouro retirado das minas era entregue aos senhores, estes tinham que pagar um quinto de tudo que conseguissem para a coroa portuguesa, isso passou acontecer após a criação das casas de fundição, onde todo ouro recolhido deveria ser retido em barra e conter o brasão real. Se alguém fosse pego com ouro sem ser em barra e sem conter o brasão real, a coroa ficava com tudo, e não só com o quinto[3] .

As cobranças de impostos geraram muitas revoltas, entre elas a revolta Felipe dos Santos que era contra as casas de fundições, e a Inconfidência Mineira que visava tornar Minas Gerais independente de Portugal, esta revolta era comandava por Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, que por conta disso foi esquartejado.
               

Referências:

CALDEIRA. Jorge.  Viagem pela História do Brasil. 2. Ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. 365 p.
(acessado dia 10 de Agosto de 2012.)
< http://www.youtube.com/watch?v=9S_h6uhHE7E> ( acessado dia 17 de Agosto de 2012.)
  (acessado dia 10 de Agosto de 2012.)



[1] Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/video/me000829.mp4> (10 de Agosto de 2012.)
[2] Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=9S_h6uhHE7E> (17 de Agosto de 2012.)

[3] Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=9S_h6uhHE7E> (17 de Agosto de 2012.)

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